Em sua última conferência de resultados como CEO da Apple, Tim Cook deixou um alerta sobre o aumento nos preços dos chips de memória, que ele classificou como uma “enchente de cem anos”. A declaração foi feita em meio a um cenário de restrições no fornecimento que deve afetar as vendas de iPhones e Macs nos próximos meses.
Cook, que lidera a empresa há 15 anos e passará o cargo para John Ternus em setembro, afirmou que nunca esteve tão otimista com as oportunidades da Apple. “Estou além de empolgado”, disse. No entanto, sua confiança no futuro contrastou com a situação atual dos negócios. “Estamos vendo restrições significativas, com pouca flexibilidade na cadeia de suprimentos”, reconheceu.
A escassez de componentes dificulta a obtenção dos processadores avançados usados nos aparelhos da empresa, o que deve reduzir a receita. A Apple projeta que as vendas do iPhone, que representam cerca de metade do negócio, cresçam em torno de 15% no trimestre atual, uma desaceleração ante os 22% registrados no trimestre encerrado em junho. A receita total deve crescer entre 9% e 10% na comparação anual, abaixo dos 12% esperados por analistas.
As ações da Apple chegaram a cair 8% no after-hours na quinta-feira, após a divulgação dos resultados, antes de recuperarem parte das perdas. O papel fechou o dia cotado a US$ 333,85.
Embora a Apple não esteja gastando centenas de bilhões em infraestrutura de inteligência artificial, como concorrentes como Meta, Google e Microsoft, a empresa sente os efeitos da corrida por IA no custo dos chips de memória. A demanda por esses componentes em data centers elevou os preços, e a Apple já foi forçada a aumentar os valores de Macs e iPads em junho. Cook lamentou que o mercado de memória DRAM seja dominado por apenas três empresas: Micron, SK Hynix e Samsung. “Se houvesse mais fornecedores, seria bom para o lado do fornecimento e talvez para os preços”, disse, acrescentando que a Apple está “avaliando todas as opções”.
No trimestre encerrado em 30 de junho, a receita total da Apple somou US$ 109,4 bilhões, alta de 16% na comparação anual. O lucro líquido foi de US$ 29,8 bilhões, ou US$ 2,02 por ação, acima dos US$ 1,89 esperados. A empresa atribuiu cerca de US$ 0,11 do lucro por ação a um reembolso de tarifas do governo Trump.
O futuro CEO, John Ternus, participou da ligação, mas não respondeu perguntas. Ao ser questionado sobre o cenário competitivo, incluindo possíveis novos dispositivos de IA de empresas como SpaceX e OpenAI, Ternus disse: “Há tanta oportunidade para nós. Estamos focados em nossos planos e muito animados com isso”.
