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Vendas de pneus no Brasil caem 5,8% e indústria solicita proteção

As vendas de pneus no país apresentaram uma queda pelo terceiro ano consecutivo, atingindo 37,7 milhões de unidades em 2025. Esse número representa uma redução de 5,8% em comparação com 2024 e inclui pneus para carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus.

Segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneus (Anip), o mercado de reposição, que corresponde a 67% da produção total, registrou uma diminuição de 7,5%. Já as vendas para montadoras caíram 2,1%, mesmo com um crescimento de 3,5% na produção de veículos no ano passado.

Desde 2019, a indústria de pneus perdeu 23% de seu tamanho. Um dos principais fatores dessa queda é o aumento nas importações de pneus. Em 2019, os pneus importados representavam 34% do mercado de reposição, mas esse número aumentou para 60% em 2024 e caiu ligeiramente para 59% em 2025. Isso significa que, em média, seis a cada dez pneus trocados no país são importados, principalmente da China, que é a origem de 78% dos pneus para carros de passeio.

Em resposta a essa situação, a Anip está trabalhando junto ao governo em uma lista de 25 medidas destinadas a melhorar a competitividade das fábricas nacionais. Entre as propostas estão a ampliação do direito antidumping para todas as origens e a criação de preços de referência para a taxação dos pneus importados, pois a indústria alega que muitos pneus importados estão sendo vendidos a preços abaixo do custo de produção. Além disso, a Anip pede um controle mais rigoroso sobre empresas que possam estar cometendo fraudes nas importações.

Essas questões têm sido discutidas em reuniões frequentes com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Durante essas reuniões, a Anip apresenta gráficos que demonstram a crescente diferença entre as vendas de produtos importados e nacionais no mercado de reposição. O impacto ambiental também é uma preocupação, já que muitos importadores não estão cumprindo as metas de destinação adequada dos pneus, que são obrigatórias para evitar que pneus usados sejam descartados de maneira imprópria.

O trabalho da Anip já resultou em algumas ações, como a renovação das tarifas antidumping sobre pneus chineses e um aumento na tarifa de importação de pneus de carros de passeio, de 16% para 25%. Além disso, em julho do ano passado, a Anip solicitou uma investigação sobre possíveis práticas de dumping em pneus de máquinas agrícolas importados da Índia.

Contudo, enquanto o país impõe barreiras a produtos chineses, está mantendo a abertura para pneus de outras origens. Um exemplo é o Camboja, que entrou no mercado de pneus nacional em 2024, tornando-se a terceira maior origem das importações.

A situação atual gera preocupação, pois a prevalência dos pneus importados no mercado de reposição e a ociosidade de muitas fábricas nacionais podem levar a mais fechamentos, como o da Michelin, que encerrou atividades em Guarulhos (SP) devido ao crescimento das importações. O presidente da Anip, Rodrigo Navarro, expressou a importância de implementar medidas concretas em breve, para mudar o cenário. Ele acredita que este é um ano de esperança, enfatizando a necessidade de ações efetivas até meados de 2026.

Sobre o autor: Beatriz Oliveira

Estudante de Engenharia Mecânica, redatora por hobby e vendedora na loja Pneus em Goiânia.

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